Para viajar com as crianças

Garanta o bem-estar e a segurança dos seus pequenos nas viagens de carro

Cada idade no seu galho, mas escolha bem a árvore
Os sistemas de segurança passiva do automóvel, como cintos de segurança e airbags, foram projetados tendo em mente indivíduos adultos, tanto na estatura quanto na estrutura óssea. Não pense que os equipamentos de retenção infantil foram projetados apenas para dar conforto ou permitir maior controle dos pais sobre os pequenos – os próprios nomes dos produtos não ajudam neste sentido.
A função primária destes equipamentos é reduzir o quanto possível os ferimentos nas crianças no caso de um acidente, apoiando-as nas regiões mais resistentes de seus corpos. Sem eles, os cintos originais e os air bags podem causar lesões mortais: um cinto de três pontos em uma criança, por exemplo, tende a apoiar no pescoço, e não na clavícula.
Por isso, é vital que se use o equipamento adequado de acordo com a idade e o peso da criança. O bebê-conforto é recomendado para bebês de até seis meses ou até nove quilos, e deve ser instalado de costas para o banco do motorista – nunca sobre o banco frontal do passageiro, pois em um acidente o air-bag esmagará a criança contra o encosto. A cadeirinha deve ser aplicada aos pequenos de sete meses a quatro anos, e instalada da mesma forma que o bebê-conforto, pelo máximo de tempo possível. Já o assento de elevação (ou “booster”), é destinado a crianças de 18 a 36 quilos – sendo imprescindível observar a posição do cinto de segurança em relação à clavícula e pescoço.
Mas tão importante quanto possuir o equipamento correto é observar se o seu automóvel está apto à instalação dos mesmos. A ONG “Criança Segura”, especializada na prevenção de acidentes com crianças, aponta que um dos principais impasses é o fato destes equipamentos terem sido projetados para ser instalados no cinto traseiro de três pontos – quando grande parte da frota brasileira possui apenas cintos sub-abdominais no banco traseiro.
Para Alessandra Françoia, coordenadora nacional da organização, a presença do sistema de três pontos na traseira possui importância decisiva: “ele deve ser encarado pelos pais e responsáveis como critério de escolha do modelo no momento da compra ou troca do automóvel, até porque é mais seguro para todos os ocupantes”.
Cuidados extras na viagem
Equipamentos de retenção instalados corretamente, tanque cheio, carro revisado, hora de pegar a estrada. Mas, se até com os adultos podem sofrer algum tipo de imprevistos ou inconvenientes durante a viagem, é de bom saber que as crianças são mais suscetíveis. Elas normalmente são menos pacientes e seu organismo é mais sensível.
Não dispense sacos de vômito e fraldas, para limpá-las caso se enjoem. Guiar com suavidade, evitando frenagens fortes ou mudanças bruscas de direção ajudam muito no bem-estar a bordo das crianças - e mesmo dos adultos. Cuidado com sorvetes caseiros, sucos de milho e outros produtos vendidos à beira da estrada e, muitas vezes, fabricados sem tanto controle de produção.
Brinquedos a bordo e as músicas favoritas dos pequenos podem ser uma forma de combater o tédio a bordo, mas atente sempre a objetos pesados, que se transformam em uma arma contra os passageiros no caso de um acidente. Outro cuidado que o motorista precisa tomar é com brigas, choros ou cenários que normalmente requerem atenção dos adultos: quem está ao volante não pode se distrair nestas situações. A 120 km/h, um carro percorre mais de 30 metros por segundo - cada olhada extra no retrovisor interno para repreender a criança representa um perigo exponencial aos ocupantes do veículo.
Por fim, nunca é tarde para lembrar de ser atencioso nas paradas na estrada: os carros costumam chegar em alta velocidade, os adultos gostam de se espreguiçar e oxigenar lentamente o corpo, mas as crianças, entediadas, querem correr e brincar. Nesse momento, relaxe mas não seja desleixado, e fique de olho.


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